Rede Amazônica de Inventários Florestais

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Experimentos e observações mostram que a distribuição de árvores na Amazônia pode prever se elas toleram a seca

  • Agosto, 2017

View from the canopy flux tower at Tambopata (photo: Joey Talbot)Nenhum outro ecossistema terrestre tem mais espécies do que as florestas tropicais, mas as mudanças climáticas poderão ameaçar milhares de árvores nessas florestas. Como podemos prever quais espécies estão sob risco? É impossível fazer experimentos com todas as milhares de espécies nessas florestas.

A distribuição das espécies pode ser um indicativo da sua sensibilidade ao clima. De fato, já existem estudos mostrando que em determinadas regiões plântulas de espécies de áreas mais áridas resistem à seca por um período mais longo do que plântulas de áreas mais úmidas. Mas seria isso verdade para árvores adultas? E poderíamos generalizar esses resultados para uma escala continental?

Pela primeira vez podemos responder essas perguntas. Nosso estudo publicado nessa segunda-feira integrou dados de experimentos e observações com a distribuição de mais de 100 grupos de árvores, incluindo grupos de áreas muito secas até locais extremamente úmidos em mais de 11 países em florestas da Amazônia e América Central. Descobrimos que a distribuição das árvores tropicais pode prever sua habilidade de tolerar a seca. Esse efeito é maior para árvores adultas quando comparado a plântulas ou árvores jovens e aumenta com o tempo que as plantas foram expostas à falta de água.

Secas são cada vez mais frequentes na Amazônia. Em particular, a estação seca está se tornando mais longa e esses períodos secos estão cada vez mais quentes. Os resultados dessa pesquisa sugerem que se o clima continuar mudando vamos observar uma possível alteração nas espécies de árvore da Amazônia. Isso não é uma boa notícia! Pode ser o começo de um processo de diminuição e perda das espécies exclusivas a essa região. Isso teria importante consequências para os serviços que a floresta fornece a nossa sociedade e as comunidades que dependem das florestas.

Existem ainda muito a ser pesquisado. Olhando os dados vimos que os experimentos são na maioria realizados em áreas secas para padrões Amazônicos. Precisamos entender o que acontece quando plantas de áreas úmidas - e potencialmente mais vulneráveis - são afetadas pela seca. O exato porquê das árvores responderem de forma distinta continua sendo um mistério que só será resolvido quando obtivermos informação da fisiologia dessas plantas. Até o momento temos uma forma de prever quais espécies serão mais afetadas e onde elas estão, isso nos dá esperança de poder fazer algo a respeito dos impactos futuros.

Esquivel-Muelbert et al (2017) Biogeographic distributions of neotropical trees reflect their directly measured drought tolerancesScientific Reports 7 (1)