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Época de seca no Amazonas adiciona dióxido de carbono à atmosfera - Entrevista com o Professor Emanuel Gloor

  • Fevereiro, 2014

À medida de que o clima sofre alterações, a Bacia Amazônica pode libertar mais dióxido de carbono na atmosfera do que absorve, de acordo com um novo estudo publicado na revista da Nature.

Uma equipe internacional de cientistas, coliderada pelo Professor Emanuel Gloor da Universidade de Leeds, descobriu que durante um ano seco, os ecossistemas da bacia do Amazonas "expiraram" mais dióxido de carbono (através de queimadas) do que "inalaram" (através da fotossíntese). Durante um ano molhado, a região era neutra de carbono, com quantidades aproximadamente iguais de dióxido de carbono exalado para a atmosfera e inalados em ecossistemas. "Sabemos que a Amazónia passa por uma tendência de aquecimento semelhante ao resto do mundo. Há também um aumento tanto em secas como fortes cheias. Não está claro como as florestas da Amazônia vão mudar no futuro", disse o Professor Gloor, um dos três principais autores do novo artigo. "Pela primeira vez, observámos o equilíbrio de carbono ao longo de toda a Bacia durante um ano muito seco e um molhado, o que nos dá uma indicação das mudanças que podemos esperar."

Até agora, os cientistas têm encontrado dificuldades em medir o balanço de carbono da Amazônia à escala adequada. Observações globais da concentração de dióxido de carbono não são capazes de se concentrar em regiões tropicais continentais, e os estudos das campanhas de campo na floresta Amazônica também têm enfrentado obstáculos em escalar o bioma completo da floresta.

No novo estudo, medições aéreas precisas de dióxido de carbono foram realizadas em 2010 e 2011, em vários locais da Amazônia, utilizando aeronaves equipadas com instrumentos destinados a este fim. Estes dados foram complementados com monitoramento terrestre da dinâmica de carbono em vários locais da Amazônia, coordenado por pesquisadores da Universidade de Oxford.

Medições de monóxido de carbono também foram feitas com a finalidade de separar as emissões de carbono por fogos, daquelas associadas com o crescimento das plantas e processos do solo, já que este gás é um produto da queima de biomassa.

Os padrões de precipitação durante os dois anos do estudo variaram consideravelmente: o de 2010 foi extremamente seco, enquanto que o de 2011, foi muito molhado.

Em 2010, a equipe descobriu que dois processos fazem com que a Bacia Amazônica seja uma fonte de carbono para a atmosfera. Isto foi causado pelo fumo de fogos (que são graves durante as secas) exalando grandes quantidades de carbono. Os dados recolhidos do solo também mostraram que a vegetação que sofreu com o efeito da seca realizou a fotossíntese de forma relativamente lenta em comparação com anos de umidade normal, diminuindo a quantidade de carbono que normalmente é inalada.

Por outro lado, em 2011 houveram menos fogos e um crescimento relativamente forte de plantas, o que significa que menos dióxido de carbono foi emitido para a atmosfera e mais foi absorvido pelas plantas em crescimento. No entanto, a região não absorveu e armazenou mais carbono do que enviou para a atmosfera. Em vez disso, a Amazônia foi neutra em carbono, nem adicionando nem retirando carbono da atmosfera.

"A Amazônia está mudando. Estamos observando anos muito mais molhados e anos muito mais secos", disse o Dr. John Miller, do NOAA’s Cooperative Institute for Research in Environmental Sciences (CIRES) da Universidade de Colorado Boulder e coautor desta publicação. "Se esta tendência continuar, a região pode-se tornar numa fonte de carbono para a atmosfera, movendo o carbono incorporado nos ecossistemas para os gases de efeito de estufa na atmosfera. "

A equipe vai continuar as medições usando aeronaves sobre a Bacia Amazônica. "Precisamos entender o quão sensível estes ecossistemas são perante as alterações climáticas, e o potencial para feedbacks que podem afetar ainda mais o nosso clima", disse a Drª Luciana Gatti, do IPEN, São Paulo, Brasil, coautora desta publicação. "Será necessário um esforço a longo prazo para entender completamente o futuro do balanço de carbono da região."

Esta pesquisa foi financiada principalmente pela NERC e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.

 

Outras informações

Este comunicado de imprensa foi escrito em colaboração com o NOAA's Cooperative Institute for Research in Environmental Sciences (CIRES), o IPEN, a Universidade de Oxford e a Universidade de Colorado Boulder.

O artigo de pesquisa, ‘Drought sensitivity of Amazonian carbon balance revealed by atmospheric measurements’, foi publicado na revista da Nature no dia 06 de Fevereiro.

Para entrevistar o Professor Emanuel Gloor, por favor contate a Sarah Reed, Press Officer, University of Leeds, tel: +441133434196 ou mande email para s.j.reed@leeds.ac.uk

Para entrevistar o Dr John Miller, por favor contate a Katy Human, CIRES communications, tel: + 441 3037350196 ou mande email para Kathleen.human@colorado.edu

Para entrevistar  a Drª Luciana Gatti, por favor contate Luciana Gatti, CNEN - IPEN - Lab. Química Atmosférica, tel: +55 (11) 31339348 ou mande email para lvgatti@gmail.com