Rede Amazônica de Inventários Florestais

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Seca ‘adormece’ crescimento arbóreo e ‘paralisa’ o sumidouro de carbono da Amazônia

  • Julho, 2016

Leafless trees observed from a research tower in Alta Floresta, southern Amazonia, Brazil. Photo credit: Ted FeldpauschUma recente seca paralisou completamente o sumidouro de carbono Bacia Amazônica ao matar e diminuir crescimento arbóreo, foi o resultado que o estudo liderado por pesquisadores das Universidades de Leeds e Exeter encontraram.

Prévias pesquisas têm sugerido que a Amazônia, a maior floresta tropical e um dos “pulmões-verde” do sistema terrestre deve estar perdendo gradualmente sua capacidade de retirar carbono da Atmosfera.  Este novo estudo, o mais extenso "land-based study" do efeito de secas na Amazônia até o presente, pinta a figura mais complexa – com florestas respondendo dinamicamente a um clima altamente variável.

Este estudo fez o uso de duas secas de grande escala ocorrendo há apenas cinco anos uma da outra, em 2005 e 2010, para refinar o entendimento de como secas afetam o crescimento arbóreo e, portanto, a taxa de absorção de dióxido de carbono pelas árvores proveniente da atmosfera.

Neste primeiro estudo de grande escala do impacto da seca de 2010 e sua interação com prévias secas, o grupo internacional de pesquisadores encontram que o crescimento arbóreo foi notavelmente baixo por toda área de seca das vastas florestas da Amazônia.

Utilizando medições de longo prazo da rede RAINFOR cobrindo quase uma centena de locais por toda Bacia Amazônica, o grupo foi hábil para examinar a resposta das árvores. Tanto na primeira quanto na segunda seca - a Amazônia perdeu biomassa, mas enquanto ambas as secas mataram muitas árvores, a seca de 2010 também teve o efeito de diminuir a taxa de crescimento dos sobreviventes – sugerindo que muitas árvores foram adversamente afetadas, mas não ao ponto de morte.

O autor principal, o Dr. Ted Feldpauch, senior lecturer in Geografia da Universidade de Exeter, disse: “A primeira demonstração de grandes escala da diminuição do crescimento arbóreo é extremamente importante. Ela fala-nos que mudanças do clima não somente aumenta a taxa de perda de dióxido de carbono para a atmosfera pela morte de árvores, mas também diminui a taxa de absorção. E ainda, a Amazônia claramente tem resiliência porque nos anos, entre as secas, o sistema inteiro voltou a ser um sumidouro de carbono com o crescimento superando a mortalidade.

Como a mais extensível floresta tropical sobre a Terra, a Floresta Amazônica estoca 100 bilhões de toneladas de biomassa – então, mudança neste ecossistema tem consequência global. Os pesquisadores forneceram um importante entendimento novo do impacto de mudança climática sobre o comportamento da floresta e níveis de CO2.

O co-autor, Professor Oliver da Universidade de Leeds, disse: “Por mais de 20 anos a Amazônia tem fornecido um tremendo serviço, absorvendo centenas de milhares de toneladas mais de carbono todo ano atraves do crescimento do que perdido pela morte de arvores. Mas ambas as secas eliminaram o ganho líquido.”

A pesquisa representa um passo largo a caminho no entendimento de como florestas respondem a repetidas secas naturais na escala da Amazônia. No entanto, os pesquisadores alertam que existe ainda muito para aprender. Não somente tem secas recorrentes mais frequentemente, mas as temperaturas na Amazônia estão aumentando e, um maior entendimento do efeito da interação entre estes dois é necessário. 

Professor Phillips adicionou: “Estas mudanças climáticas também estão afetando a diversidade excepcional de plantas e animais da Amazônia. Um grande desafio agora é descobrir quais espécies estão em risco.” 

Amazon forest response to repeated droughts (Reposta da Floresta Amazonica a repetidas secas) Feldpausch et al 2016 Global Biogeochemical Cycles doi: 10.1002/2015GB005133

O trabalho foi suportado por Gordon and Betty Moore Foundation e UK Natural Environment Research Council (NERC).