Rede Amazônica de Inventários Florestais

Jungle Scene Jungle Scene Jungle Scene Jungle Scene Jungle Scene

Amazonas inala mais carbono do que emite

  • Março, 2014

Um novo estudo liderado pela NASA e a Universidade de Leeds confirmou que as florestas naturais na Amazônia removem mais dióxido de carbono da atmosfera do que emitem.

Esta descoberta resolve um debate de longa data sobre um componente-chave do equilíbrio global de carbono da bacia Amazônica.

"O estudo é o primeiro a caracterizar distúrbios florestais em todas as escalas espaciais desde apenas alguns metros quadrados a centenas de hectares em toda a Amazônia", de acordo com o coautor o Professor Emanuel Gloor, da Universidade de Leeds, que liderou o estudo em conjunto com outros colegas.

O balanço de carbono da Amazônia é uma questão de vida ou morte: árvores vivas retiram o dióxido de carbono do ar à medida que crescem, e as árvores mortas colocam o gás com efeito de estufa de volta para o ar à medida que se decompõem. O novo estudo, publicado na revista Nature Communications, é o primeiro a medir as mortes de árvores causadas por processos naturais em toda a floresta Amazônica, mesmo em áreas remotas, onde não existem dados terrestres coletados.

Fernando Espírito-Santo do Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA, Califórnia, e Emanuel Gloor criaram novas técnicas para analisar dados recolhidos por satélite e LIDAR e um conjunto de medições recolhidas ao longo de 20 anos por centenas de cientistas da rede RAINFOR, rede esta liderada pelo Professor Oliver Phillips em Leeds.

Para realizar comparações com a absorção de carbono da Amazônia, os pesquisadores usaram censos de crescimento da floresta e diferentes cenários de modelagem que pudessem cobrir incertezas nos censos. Em todos os cenários, a absorção de carbono pelas árvores vivas era maior do que a ​​emissão das mortas, indicando que o efeito predominante em florestas naturais da Amazônia é a absorção.

Até agora, os cientistas só tinham sido capazes de estimar o balanço de carbono da Amazônia a partir de observações limitadas em pequenas áreas florestais. Na maioria dessas parcelas permanentes, a floresta retira mais carbono do que emite, mas a comunidade científica tem fortemente debatido o quão bem as parcelas representam todos os processos naturais na enorme região Amazônica. Este debate começou com a descoberta na década de 1990, de que grandes áreas da floresta pode ser mortas por tempestades intensas, em eventos chamados “blowdowns”.

Correlacionando dados de satélite e os recolhidos por instrumentos em aeronaves com observações terrestres, Espírito Santo e os seus colegas elaboraram métodos para identificar árvores mortas em diferentes tipos de imagens de sensoriamento remoto. Por exemplo, as árvores caídas criam uma lacuna no dossel da floresta que pode ser medida por LIDAR em aeronaves de pesquisa, e a madeira morta altera as cores numa imagem ótica por satélite. Os pesquisadores escalaram então as suas técnicas para que pudessem ser aplicadas a dados de satélite e recolhidos por aeronaves para partes da Amazônia sem dados terrestres correspondentes.

"Descobrimos que grandes distúrbios naturais - do tipo não capturados por parcelas - têm apenas um efeito pequeno sobre o ciclo do carbono em toda a Amazônia", disse Sassan Saatchi da NASA JPL, também um coautor. A cada ano, cerca de 2% de toda a floresta Amazônica morre de causas naturais. Os pesquisadores descobriram que apenas cerca de um em mil dessas mortes são causadas por “blowdowns”.

Este estudo analisou apenas os processos naturais na Amazônia, e não os resultados das atividades humanas, tais como a exploração madeireira e o desmatamento, que variam amplamente e rapidamente com a mudança das condições políticas e sociais.

"O novo estudo com dados do espaço e de aeronaves verifica a surpreendente descoberta feita a partir do solo – a floresta intata na Amazônia foi absorvendo meia tonelada de carbono por hectare a cada ano", disse Phillips. "Esta 'banca de carbono" pelas florestas tem ajudado a todos nós, por abrandar as mudanças climáticas. Se esta ajuda por parte da natureza continua ou não depende de vários fatores, incluindo o desmatamento tropical e das próprias mudanças climáticas".

 

Outras informações

Para entrevistar o Emanuel Gloor, por favor contate o Emanuel Gloor, School of Geography, University of Leeds por email, eugloor@gmail.com.

Para entrevistar o Professor Oliver Phillips, por favor contate a Sarah Reed, Press Officer, University of Leeds por tlf: +44 113 34 34196 ou por email s.j.reed@leeds.ac.uk.

 

O artigo Size and frequency of natural forest disturbances and the Amazon forest carbon balance, foi publicado na Nature Communications no dia 18 de março.