Rede Amazônica de Inventários Florestais

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Um por cento das espécies de árvores acumula metade do Carbono da floresta Amazônica

  • Maio, 2015

A Amazônia é a maior floresta tropical no mundo e extraordinariamente diversa, sendo o habitat de um total estimado de 16 mil espécies de árvores. Um novo estudo revelou que menos do que 200 espécies de árvores, aproximadamente 1%, são responsáveis por metade por metade de todo o crescimento das árvores e Carbono armazenado na Amazônia..

O estudo liderado pelo projeto RAINFOR, mostrou também que as espécies mais abundantes não são necessariamente responsáveis pelo grande estoque ou pela ciclagem da maioria do Carbono presente no sistema amazônico.

Utilizando-se de um vasto banco de dados de mais de 500 parcelas permanentes e 200 mil árvores identificadas em mais do que 3.600 espécies, os pesquisadores puderam comparar a abundância, taxas de crescimento e o estoque de biomassa das árvores de cada espécie.

A Dra. Sophie Fauset, líder do estudo, da Escola de Geografia da Universidade de Leeds, na Inglaterra, afirma que “algumas espécies são bem reconhecidas como altamente abundantes na Amazônia, mas o que era desconhecido é se tais espécies dominantes também eram as mais importantes para o ciclo de carbono da floresta. Nós encontramos que espécies bem comuns realmente podem acumular muita biomassa, mas outras menos comuns na região também podem acumular ou crescer muito mais do que a abundância delas sugere.”

Uma das espécies que representa essa situação, por exemplo, é a Bertholletia excelsa, bem conhecida por produzir a castanha-do-brasil. Menos de uma em mil árvores na Amazônia é uma castanheira, mas a espécie figura como a terceira espécie mais importante em termos de estoque de Carbono e a quarta em termos de crescimento.

Espécies que conseguem alcançar um grande porte tendem a dominar desproporcionalmente, enquanto que muito da diversidade na Amazônia é resultado da presença de pequenas árvores que vivem no sub-bosque da floresta. “Embora haja menos diversidade entre as espécies arbóreas de grande porte, elas contribuem muito mais com alguns serviços ambientais”, afirma a Dra. Fauset.

“Árvores produzem açúcares a partir do CO2, da luz solar, e da água através do processo da fotossíntese, e parte dessa produção é eventualmente armazenada como madeira”, explica a Dra. Michelle Johnson, uma das coautoras desse estudo: “A floresta amazônica, através de serviços ambientais, nos ajuda armazenando bilhões de toneladas de Carbono que de outra forma ficaria na atmosfera e contribuiria com o efeito estufa.”

Nesses casos, para um ecossistema grande e diverso como a Amazônia, entender o ciclo do Carbono é um grande desafio. O achado desse estudo que revela que apenas uma pequena fração das espécies arbóreas é responsável pelo acúmulo da metade da biomassa pode ajudar cientistas a prever como as florestas tropicais se sairão com um cenário de mudanças climáticas.

“Concentrar grande parte da biomassa em poucas espécies de grande porte pode resultar em uma maior sensitividade da Amazônia à mudanças climáticas. Sabemos que as árvores de maior porte tendem a sofrer mais com a seca.  Secas mais frequentes na Amazônia poderiam então levar a uma grande perda de biomassa e retorno de CO2 para a atmosfera”, diz Carlos Alberto Quesada, outro coautor do estudo.

A este respeito o Professor Oliver Phillips, coautor desse estudo, se mostra cauteloso “nosso grupo considerou quais são as plantas que ‘mais importam’ no momento. Mas, caso o clima na Amazônia continue mudando, nós podemos esperar grupos bem diferentes de árvores que se tornarão importantes no futuro, incluindo algumas espécies que mal chamam a nossa atenção agora.”