Rede Amazônica de Inventários Florestais

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Sobre a RAINFOR

A Rede Amazônica de Inventários Florestais é uma colaboração internacional, a longo prazo, para compreender as dinâmicas dos ecossistemas da Amazônia. Desde a mudança do milênio, temos desenvolvido em conjunto uma estrutura sistemática para o monitoramento das florestas a partir do solo. Esta estrutura é centrada em parcelas florestais permanentes que rastreiam o comportamento de árvores e de espécies individuais, mas também inclui coleções extensas de solo e de dados biogeoquímicos de plantas, e monitoramento intensivo e freqüente dos processos do ciclo de carbono em locais-chave. A RAINFOR trabalha com parceiros em toda as nações da Amazônia, tendo em conta o papel modulador de variáveis ambientais como a nutrição do solo, e a necessidade de ajudar a desenvolver novas gerações de ecologistas Amazônicos. O trabalho de RAINFOR é atualmente suportado pelas agências de financiamento no Brasil, Colômbia, Reino Unido e União Europeia.

bbbbDesde 2008, a RAINFOR tem sido apoiada pela Iniciativa Andes e Amazônia da Fundação Gordon and Betty Moore, recebendo também financiamento de agências no Reino Unido (NERC: consórcio AMAZONICA), da União Europeia e América Latina.

A RAINFOR foi originalmente criada como parte do CARBONSINK, a contribuição europeia para o Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA). A União Europeia apoiou a formação em 2004-2006 (Pan-Amazônia) e trabalho de campo e 2011-2014 (GeoCarbon). Outros colaboradores incluem Max-Planck de Biiogeoquímica (coordenação do trabalho de campo e 2002-2004), a National Geographic Society (EUA) e a Royal Society (UK) (Peru 2001-2003) e Colciencias (2011-2013). Trabalhamos também com outras redes de monitorização, por exemplo em África (AfriTRON), e a nível mundial (ForestPlots.net, TroBit, GEM) para padronizar protocolos e avançar a compreensão das respostas da floresta às mudanças globais.

Objectivos

As florestas da Amazônia compõem um dos ecossistemas mais importantes do planeta, pois abrigam 45% das florestas tropicais do mundo e armazenam 40% do carbono na sua vegetação terrestre (Malhi e Grace 2000). Assim, mudanças relativamente pequenas na estrutura e/ou na função dessas florestas podem ter consequências globais para a biodiversidade, ciclo do carbono e taxa de mudanças climáticas.

Florestas tropicais localizadas distantes das áreas de desmatamento ou de influência antrópica significante e, portanto, aparentemente não perturbadas, estão sofrendo mudanças inesperadas. O monitoramento de parcelas nessas áreas indica que as populações de árvores sofreram aumento na taxa de mortalidade e de recrutamento (“turnover”) na última parte do século XX (Phillips and Gentry 1994; Lewis et al. 2004, Phillips et al. 2004). Dados dessas parcelas indicam, ainda, que, na região tropical das Américas, a área basal e a biomassa de florestas maduras aumentaram durante esse mesmo período (Phillips et al. 1998, Baker et al. 2004), sugerindo que a Amazônia sequestra 0.3 - 0.7 Pg de carbono por ano.

A rede RAINFOR foi estabelecida para reunir pesquisadores de toda a Amazônia que mantêm amostragens permanentes em parcelas de inventários florestais. Compilando e comparando esses estudos, as informações tornam-se disponíveis em escala regional, oferecendo idéias vitais sobre as diversas maneiras como os ecossistemas amazônicos respondem às mudanças climáticas e como responderão aos cenários futuros de mudanças climáticas globais.

Os objetivos da rede RAINFOR são:

  • Relacionar estrutura, biomassa e dinâmica florestal recente e atual com propriedades do clima e do solo; 
  • Compreender de que maneira o clima e o solo direcionam mudanças futuras na dinâmica e na estrutura da floresta;
  • Compreender as relações entre produtividade, mortalidade, biomassa e biodiversidade;
  • Avaliar como mudanças climáticas podem afetar a biomassa e a produtividade da floresta regionalmente e, assim, oferecer informações sobre o balanço do carbono na escala da bacia amazônica;
  • Examinar a variação da biodiversidade de árvores ao longo da Amazônia e sua relação com o clima e o solo;
  • Oferecer treinamento em métodos utilizados para medidas de biomassa, dinâmica florestal e processos relacionados ao carbono para jovens cientistas da Amazônia.

Sobre a Amazônia

Com seis milhões de Km2, a floresta amazônica cobre uma área equivalente a 25 vezes a área do Reino Unido ou 15 vezes a área da Califórnia. A floresta amazônica se distribui em nove países, sendo que sua maior extensão está no Brasil. A região amazônica abriga, aproximadamente, um quinto de todas as espécies do planeta, um quinto de toda a biomassa de carbono e vários milhões de pessoas. O vapor de água formado na Amazônia nutre a agricultura de regiões ao sul, incluindo plantações de biocombustíveis que são utilizados em milhões de automóveis. A cada ano, as florestas na Amazônia ciclam 18 bilhões de toneladas de carbono – mais de duas vezes a quantidade de carbono emitida pela queima de combustíveis fósseis no mundo. Assim, uma pequena mudança no balanço de carbono nas florestas e solos amazônicos provocaria um efeito significativo na velocidade em que o dióxido de carbono é acumulado na atmosfera do planeta.

As florestas na Amazônia estão sob intensa pressão antrópica e, portanto, são afetadas pela conversão de áreas de floresta em pastagens e pela exploração madeireira e de recursos naturais. Essas florestas estão, ainda, sujeitas ao aquecimento do clima e às mudanças da atmosfera. Devido à sua vasta dimensão, as alterações na floresta amazônica têm potencial para modificar significativamente o balanço global dos gases de efeito estufa (CO2, CH4), a química e o clima da atmosfera e, ainda, a biodiversidade do planeta. Alguns cenários sugerem uma enorme emissão de carbono proveniente da vegetação e dos solos da Amazônia, acelerando mudanças climáticas globais, mesmo antes de se considerar os impactos diretos do desmatamento sobre a floresta.

Embora a Amazônia tenha claramente importância global no ciclo do carbono, a maneira exata como esse ciclo ocorre na região permanece controversa. Mesmo para as regiões que não estão sujeitas a rápidas mudanças do uso da terra, o entendimento do ciclo do carbono ainda permanece incompleto. Pesquisas anteriores realizadas pela rede RAINFOR demonstraram que a floresta sequestrou carbono extra ao longo dos últimos anos. Esse sequestro pode ser suficiente para desacelerar a taxa das mudanças climáticas, mas esse ‘subsídio’ da natureza pode estar ameaçado pelas próprias mudanças climáticas. O monitoramento da floresta em campo, ao longo de toda a região amazônica, é essencial para avaliar essa ameaça e para oferecer melhor entendimento dos benefícios que a Amazônia pode oferecer frente às mudanças climáticas globais. Entender a dinâmica do carbono de todo o sistema é fundamental, uma vez que temos como objetivo determinar seu potencial para acelerar ou desacelerar mudanças climáticas no século XXI, assim como o provável futuro de sua excepcional biodiversidade.